sábado, 28 de novembro de 2009

Poema A Ilha

Deixaste-me partir descalço
sobre as feridas.
Onde estás ,companheira de todas as águas?
A noite é uma janela aberta sobre o mar.
Os vasos das gardénias mais sombrias quebram-se
de encontro ao silêncio.
Ouvi os violinos nas catedrais da tard;
cavalos de sombra trotaram por entre as árvores,
na tua fronte , nas chamas que crepitavam
nas tuas mãos esquivas.
Já não vejo o teu rosto
nos pingos de chuva que cobrem o pára -brisas.
Afasto-me aos poucos de julho,
do mês em que mais cresceste dentro de mim.
Tens, sei ,a natureza das florestas no Outono,
e são bravos os teus cabelos como os pinheiros da costa.
Escondo-me agora na minha cama de pedra,
nos meus sonhos de vidro, nos lençóis de luar com que cubre
agora os momentos mais fundos sem ti.

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